Literatura, isto é, escrever sem publicar, é uma espécie de vício secreto. Pequena perversão. Que nem colocar calcinhas de mulher. Seus praticantes estão sujeitos a muito mais. Olhai uns pares deles.
Complexo de Castro Alves - Leva os poetas a delirar se imaginando numa tribuna em praça pública, cercado por um mar de povo, recebendo o brado do seu bardo, o verbo quente e a exortação para a ação.
Os poetas afetados deste mal substituem a ação pela palavra.
Complexo de Machado de Assis - Manifesta-se em um desejo irreprimível de entrar para o Serviço Público. Leva vida reservada e tímida. Ter atitudes ambíguas sobre os problemas da comunidade. Esperar a glória, pacientemente. Alguns casos mais graves levam os pacientes a fundar academias.
Complexo de Jorge Amado - Leva os pacientes a escrever livros e mais livros, sofregamente, uns cada vez mais parecidos com os outros. Frequentemente, vence pelo cansaço e acorda consagrado internacionalmente. Pertence ao quadro deste complexo o sonhar com o Nobel.
Alguns têm frenesis em que se imaginam traduzidos para 18 idiomas.










